SESSÃO DE PÔSTERES


Manifestações Otoneurológicas e Auditivas da Insuficiência Vertebrobasilar - Relato Clínico.
Autor(es): Marcela Rosolen Stefanini, Luciane D. F. Mariotto, Regina C. B. Amantini


Introdução: A vertigem consiste numa falsa sensação de movimento ou de rotação ou na impressão de que os objetos se movem ou giram, e esta situação acompanha-se, habitualmente, de náuseas e de perda do equilíbrio. A pessoa com vertigem costuma sentir-se melhor se deitar e permanecer imóvel: no entanto, a vertigem pode continuar mesmo quando se está totalmente parado. A causa da vertigem pode ser conseqüência de anomalias no ouvido, na ligação nervosa do ouvido ao cérebro, no próprio cérebro ou tronco cerebral, pode também estar associada a problemas visuais ou mudanças repentinas na pressão arterial. Alterações como obstrução ou compressão das artérias vertebrais que irrigam a região cerebral posterior caracterizam o quadro chamado de insuficiência vertebrobasilar. Neste quadro a vertigem aparece como sintoma inicial em 48% dos casos e pode vir acompanhada por náusea, vômito ataques de queda, distúrbios de campo visual, diplopia, cefaléia, disartria, amnésia e ataxia. Objetivo: Relatar o caso de um paciente que apresentou sintomas auditivo-vestibulares como manifestação da insuficiência vertebrobasilar e salientar a importância da reabilitação vestibular. Metodologia e Resultados: Paciente com 66 anos, do sexo masculino, foi encaminhado à Divisão de Saúde Auditiva do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (DSA - HRAC - USP) devido às queixas de tontura e vertigem. Na anamnese, o paciente referiu início os sintomas há quatro meses, associados à movimentação de corpo e cabeça com perda de equilíbrio, náusea, vômito, sudorese, palidez, mal estar indefinido, zumbido, plenitude auricular e sem fator desencadeante. Foi realizada avaliação otoneurológica que mostrou ausência de nistagmo nas provas de posição e de posicionamento e vectoeletronistagmografia com conclusão de síndrome vestibular deficitária à esquerda e central. Na avaliação audiológica observou-se perda auditiva sensórioneural coclear de grau severo à orelha esquerda e grau normal à direita, com curva descendente. Na ressonância magnética de ouvidos detectou-se trajeto sinuoso da artéria basilar que transita nas porções inferior e média do ângulo ponto cerebelar do lado esquerdo, adjacente às origens reais dos nervos facial e vestíbulo coclear. O tratamento proposto foi de reabilitação vestibular em um programa de três meses de terapia em grupo, na qual foram realizados exercícios baseados no protocolo de Cawthorne (1944); Cooksey (1946); Zee (2000) divididos em doze sessões semanais. Antes de iniciar o tratamento o paciente respondeu ao Inventário de Handicap para Portadores de Tontura, que quantifica o quanto o sujeito sente-se em desvantagem frente ao seu problema, com escore de 68% e ao término do tratamento o paciente passou para escore de 8%, demonstrando a melhora significativa dos sintomas e promoção da qualidade de vida do paciente. Conclusão: A investigação clínica detalhada do caso permitiu o diagnóstico preciso da insuficiência vertebrobasilar, a reabilitação vestibular mostrou-se determinante na melhora do quadro e, consequentemente, na qualidade de vida do paciente.


Dados de publicação
Página(s) : p.72

ISSN : 1983-179X