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Caracterização da Função Coclear de Crianças e Adolescentes com Síndrome de Down
Autor(es): Karenina Santos Calarga, Jordana Costa Soares, Renata Mota Mamede Carvallo, Seisse Gabriela Gandolfi Sanches


Introdução: Os portadores da síndrome de Down apresentam alta incidência de perda auditiva, proveniente de afecções da orelha média e ou da cóclea. Testes audiológicos objetivos, como imitanciometria e emissões otoacústicas (EOA), são mais precisos por não dependerem da resposta do paciente. A combinação de mais de um exame é fundamental para o diagnóstico audiológico e direciona a elaboração terapêutica, visto que a diminuição ou perda auditiva podem comprometer o desenvolvimento da linguagem e da expressão oral destes indivíduos. Objetivo: Caracterizar a via auditiva periférica de indivíduos com síndrome de Down, por meio de omissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente. Casuística e Método: Participaram do estudo 19 indivíduos com Síndrome de Down, num total de 35 orelhas, de ambos os sexos, entre 5 e 15 anos de idade. Foram realizados: inspeção do meato acústico externo, timpanometria, pesquisa do reflexo acústico ipsilateral e emissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente. Resultados: A partir da análise dos dados observou-se que de todas as 35 orelhas pesquisadas, 19 apresentaram curva timpanométrica alterada dos tipos B ou C (54%). Quatro indivíduos apresentaram EOA nas duas orelhas e dois apresentaram somente em uma orelha (total de 10 orelhas com EOA), com maior incidência para o gênero feminino. Dentre as orelhas que apresentaram EOA, os maiores níveis de resposta, em média, ocorreram entre 1,5 e 2 kHz. Nas mesmas orelhas, a timpanometria foi A em seis delas, AR em duas, C em outras duas e o reflexo acústico ipsilateral esteve presente em seis, predominantemente quando estas exibiram curva timpanométrica A ou AR. Conclusões: a partir dos resultados observamos um alto índice de alterações de orelha média em crianças com síndrome de Down, com impacto na pesquisa de emissões otoacúsitcas e reflexos acústicos ipsilaterais. Estas condições podem interferir no mecanismo de recepção e compreensão do som apresentado às crianças, o que certamente interfere no desenvolvimento de linguagem. Dessa forma, é de extrema importância o monitoramento audiológico da população estudada.

Palavras-chave: emissões otoacústicas, cóclea, Síndrome de Down, avaliação audiológica


Dados de publicação
Página(s) : p.256

ISSN : 1983-179X